terça-feira, 14 de outubro de 2008

A cultura em estado de site



Quem ama um 384, pentium 4 lhe parece

Por: Marco Antonio

Acadêmico de jornalismo

Não podemos de maneira alguma negar que a Internet veio para abrir horizontes e marcar, realmente, o início do século XXI. Ninguém se lembra mais dos linotipos, máquinas de escrever e dos telegramas, entre outros, que nem lembro mais parta citá-los. Tenho certeza que isso será conhecido pelos nossos filhos em suas aulas de histórias ou, mais detalhadamente, em suas aulas relativas.
Vale salientar que esse museu foi preparado há menos de cinqüenta anos, pois demos um salto vertiginoso para a era digital dos Ipods, dos gravadores de DVD... Da fotografia digital!
Com o apertar de uma tecla acessamos o mundo, conhecemos a variada gama de cultura, os povos, suas artes.
Mas, convenhamos, temos mais oportunidade de participar. E temos que participar.A blogmania é uma realidade para todos os que têm acesso à rede mundial de computadores. E, mesmo sem ter um PC em casa, as salas de acesso estão, por assim dizer, muito acessíveis. Desta forma não podemos dar desculpas por nosso ostracismo intelectual, temos mais é que dar um tapa em nossa própria cabeça, pra ver se ela pega no “tranco” e colocar a imaginação para funcionar. Acho que agora cabe muito bem aquela máxima: Dar asas à imaginação!
E o infinito é o limite. Blogar, criar sites, participar, pesquisar, não podemos é ser meros espectadores.
No cinema, a fotografia digital ressuscitou dinossauros, criou seres do futuro, fez bichos e crianças falarem como gente grande... Fez o homem voar!
O que precisamos é garantir mais participação de nosso estado no vários eventos que existem pelo mundo, divulgar o talento de nossos músicos, de nossos artistas plásticos, de nossos atores e técnicos, formando platéia.
E aqui temos mais um problema em que precisamos estar linkados: formação de platéia! Os grupos, os segmentos estão preocupados em criar, preparar, montar e exibir como se já estivesse ali fora uma multidão ávida pelo seu espetáculo, seu show, sua exposição, sua arte.
Não é bem assim, é preciso apresentar ao respeitável público essa nova dinâmica de gravações domésticas de CDs, de formatação de revistas, pois o povo não onívoro a ponto de apreciar o que lhe jogarem. Eles têm seus gostos, suas predileções, seus ídolos. E ainda tem os que são analfabetos de tudo isso. Ou você duvida que tem meninos e meninas da periferia que nunca foram a um cinema? Ou que nunca assistiram a um show de hip-hop? E toda essa juventude, bem como os seus pais, precisam conhecer para poder escolher com o que mais se identificam.
E nesse ponto, todos, artistas, governantes e empresários somos omissos. Esse pessoal todo é o público que está faltando naquele show que deu prejuízo.
Precisamos, sim, da inclusão digital e precisamos simultaneamente mover forças no sentido de facilitar o teatro, o cinema, as artes, ao morador da periferia... Das passarelas!
E assim, criaremos mais artes, mais técnicos e também mais público, pois é ele quem transforma o artista em artista. Com ele é que se alcança a projeção mundial que todo artista gosta e merece, seja ouvindo o som dos aplausos ou do tilintar.

Um comentário:

Joni disse...

Caro amigo e conterraneo, Clay
Já me disseram que as idéias vem em forma de ondas e, mesmo que não aplicadas por quem as teve, logo podem ser implementadas por alguém... Cara, acho que dessa vez pensamos e agimos quase juntos, se não, vejamos este artigo que voce pode tirar dos comentários e publicar no blog:
Abraços

O Cinema amapaense em Estado de Site

O descaso sentido pela classe do audiovisual no Amapá é um questionamento que ao poucos vem criando forma e se transformando em uma grande interrogação.
O que parecia ser temor ao que o segmento poderia aprontar mostrando as mazelas do estado para o mundo, através de suas ruas esburacadas e sem saneamento, sem sinalização, abrigos e pontos de ônibus virtuais, sem falar nos conflitos de gangues e disputa por pontos de vendas, vem se transformando na grande pergunta: Os fomentadores de cultura locais sabem realmente o que é Cinema?
Não estamos falando do prédio, onde ação nenhuma é realizada para que a classe de “baixa renda” possa conhecer essas salas de espetáculos e tampouco para que aja algum crescimento nos setor.
Estamos falando da cinematografia que provoca como poucas outras artes o envolvimento de vários segmentos culturais e até sociais, sem falar no turismo.
Um exemplo humilhante para os fomentadores de cultura locais e para os todas as outras capitais da federação é a cidade de Paulínia, a 108 km da capital São Paulo, que através de seu secretário, Emerson Alves, está criando o Pólo Cinematográfico daquela cidade.
Em 2003, a cidade cuja principal economia era baseada em indústrias petroquímicas, realizou uma pesquisa através da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas – FIPE, para avaliar quais os segmentos gerariam mais emprego para a cidade. Não deu outra, “o Cinema foi uma das áreas mais apontadas como de maior retorno em menos tempo”, explicou o secretário em uma coletiva na última sexta-feira, em um dos estúdios já prontos.
A proposta desse polo é não só incentivar o cinema local, mas também provocar que outras produções, através de editais, usem Paulínia como base de suas filmagens, com no mínimo 25% das cenas rodadas no local. Para isso serão construídos mais quatro estúdios com uma média de 1000 m2 cada.
E enquanto isso, no Amapá.
O que temos a oferecer para a classe do audiovisual local que vem crescendo e tomando forma, contrariando as premonições e agouros oficiais? Já estamos na terceira edição do DocTv, já temos a ABDeC, associação do audiovisual, como representante nacional e a pré-produção do primeiro longa metragem genuinamente amapaense.
Não há um edital que contemple a classe e os demais segmentos. A lei de incentivo fiscal nasceu cancerígena e morreu, ou “levou o farelo” como dizemos por aqui. Temos que nos contentar com os prováveis editais de outros estados e as mudanças na Lei Rouanet, que nos cheguem. Sorte de alguns segmentos que ainda possuem o Macapá Verão, a agrofeira e as cruzes para jesusuzes. Seria a política do “Arte, cruz credo!”?
Bom, mas enquanto isso, os políticos locais estão cuidando para que as produções externas não pisem na lama ou caiam nos buracos da cidade e que apontem suas câmeras para o maravilhoso e imponente Rio Amazonas e pererecas e pororocas.
O cinema, no mundo, está desempenhando um papel fundamental em nossos dias devido a sua articulação com outros mercados, pelos elementos de ordem social e cultural que carrega em suas produções e pela sua inserção social. A indústria cinematográfica com todo o seu aparato tecnológico ultrapassa a dimensão econômica, criando modelos sociais e atitudes morais, agregando outros símbolos culturais que constituem atualmente a primeira fonte de riqueza nos paises desenvolvidos. E ninguém por aqui percebe ou pesquisa isso?
Continuaremos sendo apenas um marco Zero no meio do mundo? Apenas uma esquina onde rodaremos nossas bolsinhas e passaremos nossos pires?
Já podemos realizar muito mais que isso!
Opção de Cinema da Amazônia – OCA / Assessoria (Joni Bigoo)